
A cantora e compositora Angela Ro Ro morreu nesta segunda-feira (8), aos 75 anos, no Rio de Janeiro. Considerada um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, ela marcou gerações com sua voz rouca, autenticidade e composições intensas.
Angela estava internada desde junho e enfrentava complicações de saúde decorrentes de uma infecção. A artista chegou a passar 21 dias na UTI, foi intubada, submetida a traqueostomia e, apesar de algumas melhoras recentes, não resistiu a uma parada cardíaca.
Além das dificuldades clínicas, vivia também uma fase financeira delicada. Sem aposentadoria, sobrevivia de cerca de R$ 800 mensais em direitos autorais e chegou a criar um site para receber doações que ajudassem em seus custos hospitalares.
Ao longo da carreira, Angela lançou mais de 20 discos e compôs quase 80 músicas. Sua estreia em grande estilo veio com o sucesso Amor, Meu Grande Amor, que a projetou como uma das vozes mais potentes da MPB.
Nos anos 1970, viveu na Europa, onde trabalhou em diferentes atividades até retornar ao Brasil. Foi apresentada a Caetano Veloso por Glauber Rocha e participou do disco Transa (1972), tocando gaita em Nostalgia.
Sua trajetória foi marcada por grandes sucessos, mas também por polêmicas pessoais e profissionais. Entre altos e baixos, seguiu reinventando-se: deixou vícios, apresentou programa no Canal Brasil, voltou aos palcos e lançou, em 2017, o álbum Selvagem, após mais de uma década sem inéditas.
Um episódio emblemático de sua história foi a recusa em gravar Malandragem, composta por Cazuza para ela — canção que, anos depois, se tornaria um clássico na voz de Cássia Eller.
O legado de Angela Ro Ro segue vivo na memória da música brasileira, como símbolo de ousadia, intensidade e autenticidade artística.
