
O corpo do piloto australiano Timothy James Clark, de 46 anos, morto na queda de um avião com quase 200 kg de cocaína, em Coruripe, Litoral Sul de Alagoas, foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Maceió. A informação foi confirmada pela Polícia Científica, que anunciou a liberação no último sábado (25), mas divulgou o caso apenas nesta terça-feira (28).
A identidade do piloto foi confirmada na sexta-feira (24), após análise de material genético realizada com apoio da Polícia Federal, representantes do governo australiano e familiares. Com o encerramento dos procedimentos legais, a família autorizou um representante no Brasil a providenciar o translado do corpo para a Austrália.
De acordo com o jornal australiano The Age, Clark era traficante internacional e empresário do setor financeiro, com histórico de operações na América do Sul e África. Estima-se que ele tenha realizado até 30 viagens transatlânticas transportando drogas, acumulando lucros que poderiam ultrapassar US$ 22 milhões — cerca de R$ 120 milhões.
As investigações apontam ainda que o australiano mantinha ligação com o cartel irlandês Kinahan, um dos grupos criminosos mais poderosos da Europa, com ramificações na Inglaterra, Espanha e Emirados Árabes. Clark também era sócio do empresário alemão Oliver Andreas Herrmann, acusado pela Polícia Federal australiana por tráfico internacional de drogas.
Em 2018, os dois chegaram a ser fotografados juntos em um restaurante no Zimbábue. Além disso, Clark usava perfis falsos em plataformas como Google Maps e Tripadvisor, onde publicava avaliações sob o pseudônimo “John Smith”, mas deixava rastros que ajudaram a confirmar sua identidade.
O acidente ocorreu no dia 14 de setembro, por volta das 13h30, em uma área de vegetação de Coruripe (AL). No local, foram encontrados cerca de 200 quilos de cocaína, além de equipamentos para reabastecimento em voo e alimentos importados, indicando que o avião estava preparado para longas distâncias sem escalas.
