
A Câmara dos Deputados protagonizou uma noite de votações tensas nesta quarta-feira (10) ao decidir o futuro político de dois parlamentares envolvidos em processos disciplinares. Por maioria, os deputados rejeitaram a cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e optaram por aplicar uma suspensão de seis meses ao deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).
No caso de Zambelli, o plenário registrou 227 votos favoráveis à perda do mandato — número insuficiente para atingir os 257 necessários para a cassação. A parlamentar foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A condenação transitou em julgado, e Zambelli chegou a fugir para a Itália, sendo detida nas proximidades de Roma. O governo brasileiro já pediu sua extradição.
Apesar da recomendação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pela cassação, o plenário decidiu manter o mandato da deputada, que segue afastada de suas atividades parlamentares devido ao processo criminal.
Já o deputado Glauber Braga enfrentava um processo por quebra de decoro relacionado a episódios de confrontos físicos e descumprimento do regimento interno durante um protesto em que ocupou a Mesa Diretora da Câmara. Inicialmente, o processo também pedia sua cassação, mas uma emenda apresentada durante a sessão transformou a punição em suspensão temporária. A proposta foi aprovada por 318 votos a favor e 141 contra.
Com a decisão, Braga ficará afastado por seis meses, tempo em que não poderá participar de votações, debates ou atividades legislativas.
As deliberações evidenciaram novamente a divisão interna da Câmara e levantaram debates sobre a coerência das punições aplicadas a parlamentares envolvidos em processos disciplinares.
