
A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens de 61 investigados na Operação Rejeito, que apura um esquema de corrupção envolvendo órgãos de fiscalização estaduais e federais na área de mineração em Minas Gerais. Apesar de as decisões somarem R$ 1,5 bilhão em bloqueios, apenas R$ 27 milhões foram efetivamente encontrados nas contas dos suspeitos.
Entre os investigados está o empresário alagoano Alan Cavalcante, apontado como chefe do esquema criminoso, que tinha apenas R$ 20,7 mil bloqueados em suas contas bancárias, segundo apuração do portal UOL. A investigação indica que Alan comandava, junto a outros sócios, um grupo de empresas de fachada usado para movimentar propinas e lavar dinheiro de atividades ilegais ligadas à mineração.
Quebras de sigilo bancário mostraram que o empresário recebeu mais de R$ 225 milhões de companhias envolvidas no esquema entre 2019 e 2024. No entanto, dez das empresas investigadas estavam com saldo zerado, de acordo com informações enviadas pelos bancos à Justiça.
A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) identificaram corrupção sistêmica em órgãos públicos de Minas, com suposta participação de diretores da Agência Nacional de Mineração (ANM) e servidores da Semad, Feam, Iphan e Copam. Todos os agentes públicos investigados foram afastados e permanecem presos.
O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) após a PF identificar uma menção ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) nos autos. O processo está sob análise do ministro Dias Toffoli.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que o Estado “dá total apoio às investigações” e espera “punição exemplar” para todos os envolvidos.
