
Entre os 1,1 milhão de adolescentes que relataram ter sofrido relação sexual forçada no Brasil, a maioria tinha 13 anos ou menos quando a violência ocorreu. Em 2024, 18,5% dos estudantes informaram ter passado por situação em que alguém o tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade alguma vez na vida.
Entre os 1,1 milhão de adolescentes que relataram ter sofrido relação sexual forçada no Brasil, a maioria tinha 13 anos ou menos quando a violência ocorreu. Em 2024, 18,5% dos estudantes informaram ter passado por situação em que alguém o tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade alguma vez na vida.
Para Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), esses números são um reflexo de uma sociedade que historicamente tratou mulheres e meninas como "objetos".
"Temos uma tradição de sociedade machista, na qual mulheres e meninas historicamente foram tratadas como 'objetos' dos homens e não com pessoas e sujeitos de direitos." Alves enfatiza a urgência de uma mudança cultural e educacional. "É muito expressivo e grave que um quarto das meninas já sofreram assédios e abusos."
O especialista aponta que a falta de educação sobre temas como sexualidade, além de diversidade nas escolas e famílias, tem relação direta com a escalada da violência.
A pesquisa do IBGE, realizada em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do MEC (Ministério da Educação), entrevistou estudantes do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio.
Os resultados de 2024 mostram um aumento de 3,8 pontos percentuais no assédio sexual em relação a 2019, sendo a variação mais acentuada para as meninas (5,9 p.p.).
A psicopedagoga e escritora Paula Furtado, especialista em arteterapia, afirma que uma criança ou adolescente em situação de violência tende a desenvolver bloqueios, dificuldades de concentração e ansiedade, comprometendo a aprendizagem que não se restringe ao campo cognitivo.
"Quando vemos que as meninas são as maiores vítimas de violência sexual e que o bullying cresce de forma tão expressiva, é porque não estamos falando apenas de estatísticas", afirma. "Estamos falando de feridas abertas, de histórias interrompidas e de processos de desenvolvimento emocional comprometidos da nossa sociedade."
Ariel de Castro Alves defende que a educação sexual é um pilar importante no enfrentamento dessa violência. "É fundamental no enfrentamento aos abusos, gravidez precoce, infecções sexualmente transmissíveis e relacionamentos ou casamentos precoces."
Ele ressalta que a abordagem desses temas nas escolas também capacita crianças e adolescentes a se protegerem diante de abusos e exploração sexual.
O advogado critica a censura a esses temas nos últimos 15 anos, impulsionada por setores reacionários e o movimento "escola sem partido". Ele argumenta que a falta de discussão sobre gênero e diversidade nas escolas contribui para a masculinidade tóxica e abusiva, exemplificada por casos recentes de violência.
"Tratar de gênero e diversidade nas escolas é fundamental para desconstruir estereótipos, prevenir violências, promover igualdade e enfrentar a masculinidade tóxica e abusiva."
