
Estado já soma 22 ocorrências entre suspeitas e confirmações; cinco mortes estão em investigação, segundo o governo paulista
Um jovem que permanece internado após consumir gin adulterado com metanol em São Paulo enviou um áudio aos amigos descrevendo os primeiros sintomas da intoxicação. O caso aconteceu no início de setembro, após uma reunião com amigos na região da Cidade Dutra, zona sul da capital.
“Tá tudo brilhando até demais. Eu só queria ficar deitado, mas tá tudo rodando e parece que eu tô com a pressão baixa”, disse o rapaz na gravação, feita um dia depois de ingerir a bebida. Segundo o boletim de ocorrência, ele e outras três pessoas foram hospitalizadas.
As garrafas de gin, de marca conhecida e aparentemente lacradas, foram apreendidas pela polícia e entregues ao hospital. Exames confirmaram a presença de metanol, um solvente altamente tóxico usado como combustível e insumo industrial.
De acordo com relatos, o jovem chegou a gritar que estava cego antes de ser levado a uma unidade de saúde, onde entrou em coma e precisou de ventilação mecânica. Ele foi transferido para outro hospital e passou por sessões de hemodiálise. Um dos amigos intoxicados, Diogo Marques, 23 anos, também relatou perda temporária da visão e ficou três dias internado.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (30), o governador Tarcísio de Freitas informou que São Paulo já registra 22 casos de intoxicação por bebidas adulteradas, sendo cinco mortes suspeitas — uma confirmada e quatro em apuração.
Segundo especialistas, a ingestão de metanol, mesmo em pequenas doses, pode causar cegueira, convulsões, coma e até a morte.
As autoridades reforçam a importância de denunciar estabelecimentos suspeitos de vender bebidas falsificadas e alertam para a compra apenas em locais de confiança, verificando o lacre e a procedência do produto.
