
Morreu nesta segunda-feira (30), em Maceió, aos 62 anos, o sanfoneiro alagoano Sebastião José Ferreira Maximíno, conhecido artisticamente como Xameguinho. Considerado um dos maiores nomes da música nordestina e verdadeiro ícone do forró pé-de-serra, o músico teve uma trajetória marcada por talento, humildade e uma dedicação inabalável à cultura popular. A morte foi confirmada pela família, que informou que ele sofreu um ataque cardíaco fulminante em casa, no bairro Tabuleiro do Martins, por volta das 5h da manhã.
Natural de Atalaia, no interior de Alagoas, Xameguinho descobriu sua paixão pela sanfona ainda na infância. Aos 12 anos, já encantava os vizinhos com o som do instrumento que o acompanharia por mais de cinco décadas. Ao longo de sua carreira, tornou-se referência como sanfoneiro, compositor, arranjador e produtor musical. Seu estúdio, instalado em Maceió, foi palco da gravação de álbuns e projetos de diversos artistas do Nordeste, especialmente de Alagoas, Pernambuco e Sergipe.
Xameguinho conquistou projeção nacional e internacional com seu talento. Ao lado de nomes consagrados como Elba Ramalho e Emílio Santiago, levou o som da sanfona para países da Europa, incluindo Itália, Alemanha, Bélgica, França e Suíça. Em 1992, apresentou-se em Zurique, em um show que marcou sua carreira fora do Brasil.
Entre os momentos mais marcantes de sua trajetória está a parceria com Kara Véia, conhecido como o “Rei das Vaquejadas”. Foi com ele que Xameguinho participou da gravação de grandes sucessos, como “Filho Sem Sorte” e “Mulher Ingrata e Fingida”, além de colaborar com nomes como Mano Walter, Geraldo Cardoso e Mestre Zinho. Sua influência era tamanha que muitos o procuravam para produzir, arranjar ou mesmo participar diretamente de gravações e shows.
A notícia da morte de Xameguinho causou grande comoção entre músicos, amigos e admiradores. Zé Pardal, baterista e parceiro de longa data, lamentou profundamente a perda e contou que o sanfoneiro estava empolgado com um novo projeto musical chamado “Xameguinho e Banda Renascer”, que pretendia lançar em breve.
O velório do músico teve início às 14h desta segunda-feira no Campo Santo Parque das Flores, em Maceió. O sepultamento está marcado para as 9h da terça-feira (1º), no mesmo local. A despedida deverá reunir familiares, amigos, músicos e fãs que desejam prestar as últimas homenagens a um artista que fez da sanfona sua voz e seu instrumento de luta pela preservação da música nordestina.
Xameguinho deixa um legado que ultrapassa notas musicais. Deixa uma história de paixão pela arte, valorização das raízes culturais e respeito ao povo nordestino. Seu nome ecoará pelas festas juninas, pelos palcos do Brasil e pelas lembranças daqueles que tiveram o privilégio de vê-lo tocar. A sanfona silenciou, mas sua música continuará viva.
